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Ágitt Contabilidade · Medicina e tributos

Quanto médico paga de imposto em 2026? Simples, PF e Lucro Presumido

Atualizado em 21 de setembro de 2026 · Conteúdo informativo da Ágitt Contabilidade

Compare exemplos de impostos para médicos em 2026: IRPF, Simples, fator R e Lucro Presumido, incluindo pró-labore e custos da estrutura.

Quanto médico paga de imposto em 2026? Simples, PF e Lucro Presumido

Em 2026, quanto médico paga de imposto depende do conjunto da operação. Na PF, entram IRPF e contribuição previdenciária; na PJ, entram tributos da empresa, INSS e eventual IR sobre pró-labore, além do tratamento dos lucros. Uma alíquota de 6% de DAS não representa, sozinha, o custo total de trabalhar com CNPJ.

Os cálculos abaixo usam hipóteses declaradas de consultas médicas comuns no Brasil. Plantões, serviços hospitalares, procedimentos, contratos com retenções e outras fontes de renda podem mudar a apuração. O objetivo é permitir uma comparação verificável, sem prometer um percentual universal de economia.

Quais números levar para a comparação?

  • Receitas mensais e acumuladas, separadas entre pacientes, clínicas, hospitais e plataformas.
  • Despesas comprovadas: consultório, sistemas, equipe, anuidades e contabilidade.
  • Folha e pró-labore, histórico do fator R e contribuições em outros vínculos.
  • Regime da empresa, retenções e município relevante para o ISS.
  • Outros rendimentos da pessoa física e planejamento de distribuição de lucros.

Medicina não pode ser exercida como MEI. Para consultas ambulatoriais, o CNAE de referência é 8630-5/03, sujeito à confirmação das atividades reais. Porte da empresa, natureza jurídica e regime tributário são escolhas distintas. Confira o manual NAF da Receita e a classificação do IBGE.

Médico pessoa física: IRPF e INSS em 2026

O IRPF é progressivo. A alíquota máxima de 27,5% não é aplicada sem deduções a toda a receita: na faixa superior, calcula-se a base × 27,5% − R$ 908,73. Em 2026 existe também uma redução, limitada ao imposto, para rendimentos tributáveis mensais de até R$ 7.350, com imposto zerado até R$ 5 mil nas condições da lei.

A faixa do redutor não deve ser definida simplesmente pelo saldo bancário ou pela base depois de todas as deduções. A apuração considera os rendimentos tributáveis definidos na legislação. Vários pagadores e outras rendas podem produzir diferença no ajuste anual. Fontes: tabela de IRPF 2026 e Lei 15.270/2025.

Premissas da tabela: médico autônomo recebendo exclusivamente de pacientes PF; sem outros vínculos ou rendas; contribuição individual no plano normal de 20%, limitada ao teto de R$ 8.475,55; INSS pago e dedutível; sem Livro Caixa, dependentes ou pensão. Usa-se a dedução legal previdenciária, mais favorável que o desconto simplificado de R$ 607,20 nessas hipóteses.

Recebimentos mensaisINSSBase do IRPFIRPFIRPF + INSS
R$ 10.000R$ 1.695,11R$ 8.304,89R$ 1.375,11R$ 3.070,22
R$ 15.000R$ 1.695,11R$ 13.304,89R$ 2.750,11R$ 4.445,22
R$ 20.000R$ 1.695,11R$ 18.304,89R$ 4.125,11R$ 5.820,22

Não inclui ISS/cadastro municipal, conselho e despesas profissionais. A contribuição muda quando há pagamentos por empresas ou recolhimento em outros vínculos. Fonte: tabela previdenciária de 2026.

Despesas de custeio admitidas e escrituradas em Livro Caixa podem reduzir o IRPF. É necessário comprovar a vinculação profissional e observar os limites; gastar R$ 1 mil não significa economizar R$ 1 mil de imposto. Recebimentos de pacientes PF exigem o controle do Carnê-Leão e do Receita Saúde. Pagamentos feitos por PJ devem ser tratados segundo suas próprias regras. Consulte as deduções do Carnê-Leão e o manual Receita Saúde.

Médico no Simples: quando vale 6% e quando não vale

Nas receitas médicas sujeitas ao fator R, FS12 ÷ RBT12 ≥ 28% conduz ao Anexo III; abaixo disso, ao Anexo V. FS12 é a folha apurada na forma legal, incluindo remunerações e encargos previstos. Distribuição de lucro e aluguel não entram como folha.

A alíquota efetiva depende do faturamento acumulado: (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12. Por isso, mesmo no Anexo III, a carga não permanece em 6% em qualquer faturamento.

Receita do mês / RBT12Anexo IIIAnexo V
R$ 10 mil / R$ 120 mil6% → R$ 60015,5% → R$ 1.550
R$ 20 mil / R$ 240 mil7,3% → R$ 1.46016,125% → R$ 3.225
R$ 40 mil / R$ 480 mil9,825% → R$ 3.93017,4375% → R$ 6.975

Empresa já em atividade, receitas integralmente médicas e sem ajustes especiais. As colunas pressupõem fatores R diferentes; o anexo não é uma escolha livre. Fonte: LC 123 e anexos III e V.

Exemplo de PJ com R$ 20 mil: inclua os tributos do sócio

Considere RBT12 de R$ 240 mil e FS12 legalmente apurada de pelo menos R$ 67.200, com enquadramento no Anexo III. O sócio recebe pró-labore atual de R$ 5.600 e não tem outros vínculos, rendimentos ou deduções. Para o IR mensal, a dedução do INSS de R$ 616 supera o desconto simplificado de R$ 607,20.

ComponenteCálculoValor
DAS da empresaR$ 20.000 × 7,3%R$ 1.460,00
INSS do sócioR$ 5.600 × 11%R$ 616,00
IR sobre pró-laboreBase R$ 4.984; imposto R$ 461,87 menos redutor R$ 233,01R$ 228,86
Total dos tributos consideradosDAS + INSS + IRR$ 2.304,86

O redutor é R$ 978,62 − 0,133145 × R$ 5.600 = R$ 233,01. O total representa aproximadamente 11,52% dos R$ 20 mil, antes dos demais custos da estrutura. O pró-labore bruto é remuneração do sócio, não um imposto adicional; seus tributos foram incluídos. Nos Anexos III e V, a contribuição patronal abrangida integra o DAS.

Essa hipótese não garante que qualquer empresa alcance o Anexo III ao alterar o pró-labore atual. É necessário conferir o histórico e as regras de início de atividade, além de registrar remunerações reais. Honorários contábeis, equipe, aluguel e anuidades precisam entrar na análise econômica.

Lucro Presumido: como se forma a carga de uma consulta comum

Para serviços médicos de consultas comuns, usando presunção de 32% tanto para IRPJ quanto para CSLL, a composição básica de 2026 é:

TributoHipótese sobre a receitaEm R$ 20 mil/mês
IRPJ32% × 15% = 4,8%R$ 960
CSLL32% × 9% = 2,88%R$ 576
PIS cumulativo0,65%R$ 130
Cofins cumulativa3%R$ 600
ISS ilustrativo2%, a confirmar conforme regra municipalR$ 400
Total parcial13,33%R$ 2.666

O exemplo expressa equivalentes mensais, com faturamento constante e apurações nos períodos legais. Se o ISS aplicável fosse 5%, esse total subiria para R$ 3.266. Não inclui encargos patronais sobre remunerações, tributos do sócio e demais despesas. Há adicional de IRPJ sobre a parcela do lucro presumido que excede R$ 60 mil no trimestre, quando cabível.

Com o mesmo pró-labore de R$ 5.600, em uma hipótese ordinária de contribuição patronal de 20% no Presumido, haveria R$ 1.120 de CPP da empresa, além de R$ 616 de INSS do sócio e R$ 228,86 de IR. O conjunto chegaria a R$ 4.630,86 com ISS de 2%, ainda sem outros custos. Isso mostra por que comparar apenas 13,33% com o DAS é insuficiente. Bases: Lei 9.249 e Lei 8.212.

Serviço hospitalar não é sinônimo de qualquer serviço médico

As bases reduzidas de presunção de IRPJ/CSLL previstas para determinados serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico não se aplicam automaticamente a todo médico, plantão ou consulta. A análise envolve natureza efetiva do serviço, forma empresarial e exigências sanitárias. Usar apenas um CNAE ou um nome de clínica não comprova o direito ao tratamento.

Para receitas maiores, a LC 224/2025 também exige atenção: o acréscimo nos percentuais de presunção sobre a parcela de receita que supera o limite legal de R$ 5 milhões anuais possui regras de proporcionalização e vigência. Os exemplos de pequeno faturamento acima não alcançam esse limite.

Lucros distribuídos e mudanças de 2026

Não trate toda retirada como lucro isento. É necessário separar pró-labore, adiantamentos e lucro apurado com documentação. A Lei 15.270 prevê retenção de 10% quando uma mesma PJ paga lucros/dividendos acima de R$ 50 mil no mês a uma mesma PF residente, observadas as regras e exceções legais. A incidência mensal alcança o total, não só o excedente. A tributação mínima anual de altas rendas exige avaliar também outros rendimentos.

O detalhamento está no guia de distribuição de lucros em 2026. A transição do IBS/CBS deve ser simulada por ano e por regime; não é correto somar automaticamente alíquotas de teste às cargas apresentadas. Consulte as orientações oficiais para 2026.

Perguntas frequentes

Todo médico economiza abrindo CNPJ?

Não. Renda, despesas dedutíveis na PF, folha, contratos e custos da PJ podem mudar o resultado. Compare cenários completos com o mesmo conjunto de premissas.

Se já contribuo pelo hospital, recolho INSS novamente?

Os vínculos e o teto devem ser conciliados com comprovantes. Não deixe de recolher nem repita contribuições sem informar os pagadores e validar a apuração.

A plataforma já descontou imposto: posso abater do DAS?

É preciso identificar se houve tributo, comissão ou outra dedução. Retenções só podem ser aproveitadas na forma legal. Veja também o guia de tributação na telemedicina.

Compare PF e PJ com os seus documentos

A Ágitt pode simular receitas, despesas, folha e retiradas para apresentar a carga de cada alternativa e o custo de manutenção da estrutura.

Conheça nossa assessoria contábil.

Os exemplos são ilustrativos e não substituem a apuração com documentos e regras aplicáveis ao seu caso. Informações verificadas em 21/09/2026.