Ágitt Contabilidade · Medicina e tributos
Quanto médico paga de imposto em 2026? Simples, PF e Lucro Presumido
Compare exemplos de impostos para médicos em 2026: IRPF, Simples, fator R e Lucro Presumido, incluindo pró-labore e custos da estrutura.

Em 2026, quanto médico paga de imposto depende do conjunto da operação. Na PF, entram IRPF e contribuição previdenciária; na PJ, entram tributos da empresa, INSS e eventual IR sobre pró-labore, além do tratamento dos lucros. Uma alíquota de 6% de DAS não representa, sozinha, o custo total de trabalhar com CNPJ.
Os cálculos abaixo usam hipóteses declaradas de consultas médicas comuns no Brasil. Plantões, serviços hospitalares, procedimentos, contratos com retenções e outras fontes de renda podem mudar a apuração. O objetivo é permitir uma comparação verificável, sem prometer um percentual universal de economia.
Quais números levar para a comparação?
- Receitas mensais e acumuladas, separadas entre pacientes, clínicas, hospitais e plataformas.
- Despesas comprovadas: consultório, sistemas, equipe, anuidades e contabilidade.
- Folha e pró-labore, histórico do fator R e contribuições em outros vínculos.
- Regime da empresa, retenções e município relevante para o ISS.
- Outros rendimentos da pessoa física e planejamento de distribuição de lucros.
Medicina não pode ser exercida como MEI. Para consultas ambulatoriais, o CNAE de referência é 8630-5/03, sujeito à confirmação das atividades reais. Porte da empresa, natureza jurídica e regime tributário são escolhas distintas. Confira o manual NAF da Receita e a classificação do IBGE.
Médico pessoa física: IRPF e INSS em 2026
O IRPF é progressivo. A alíquota máxima de 27,5% não é aplicada sem deduções a toda a receita: na faixa superior, calcula-se a base × 27,5% − R$ 908,73. Em 2026 existe também uma redução, limitada ao imposto, para rendimentos tributáveis mensais de até R$ 7.350, com imposto zerado até R$ 5 mil nas condições da lei.
A faixa do redutor não deve ser definida simplesmente pelo saldo bancário ou pela base depois de todas as deduções. A apuração considera os rendimentos tributáveis definidos na legislação. Vários pagadores e outras rendas podem produzir diferença no ajuste anual. Fontes: tabela de IRPF 2026 e Lei 15.270/2025.
Premissas da tabela: médico autônomo recebendo exclusivamente de pacientes PF; sem outros vínculos ou rendas; contribuição individual no plano normal de 20%, limitada ao teto de R$ 8.475,55; INSS pago e dedutível; sem Livro Caixa, dependentes ou pensão. Usa-se a dedução legal previdenciária, mais favorável que o desconto simplificado de R$ 607,20 nessas hipóteses.
| Recebimentos mensais | INSS | Base do IRPF | IRPF | IRPF + INSS |
|---|---|---|---|---|
| R$ 10.000 | R$ 1.695,11 | R$ 8.304,89 | R$ 1.375,11 | R$ 3.070,22 |
| R$ 15.000 | R$ 1.695,11 | R$ 13.304,89 | R$ 2.750,11 | R$ 4.445,22 |
| R$ 20.000 | R$ 1.695,11 | R$ 18.304,89 | R$ 4.125,11 | R$ 5.820,22 |
Não inclui ISS/cadastro municipal, conselho e despesas profissionais. A contribuição muda quando há pagamentos por empresas ou recolhimento em outros vínculos. Fonte: tabela previdenciária de 2026.
Despesas de custeio admitidas e escrituradas em Livro Caixa podem reduzir o IRPF. É necessário comprovar a vinculação profissional e observar os limites; gastar R$ 1 mil não significa economizar R$ 1 mil de imposto. Recebimentos de pacientes PF exigem o controle do Carnê-Leão e do Receita Saúde. Pagamentos feitos por PJ devem ser tratados segundo suas próprias regras. Consulte as deduções do Carnê-Leão e o manual Receita Saúde.
Médico no Simples: quando vale 6% e quando não vale
Nas receitas médicas sujeitas ao fator R, FS12 ÷ RBT12 ≥ 28% conduz ao Anexo III; abaixo disso, ao Anexo V. FS12 é a folha apurada na forma legal, incluindo remunerações e encargos previstos. Distribuição de lucro e aluguel não entram como folha.
A alíquota efetiva depende do faturamento acumulado: (RBT12 × alíquota nominal − parcela a deduzir) ÷ RBT12. Por isso, mesmo no Anexo III, a carga não permanece em 6% em qualquer faturamento.
| Receita do mês / RBT12 | Anexo III | Anexo V |
|---|---|---|
| R$ 10 mil / R$ 120 mil | 6% → R$ 600 | 15,5% → R$ 1.550 |
| R$ 20 mil / R$ 240 mil | 7,3% → R$ 1.460 | 16,125% → R$ 3.225 |
| R$ 40 mil / R$ 480 mil | 9,825% → R$ 3.930 | 17,4375% → R$ 6.975 |
Empresa já em atividade, receitas integralmente médicas e sem ajustes especiais. As colunas pressupõem fatores R diferentes; o anexo não é uma escolha livre. Fonte: LC 123 e anexos III e V.
Exemplo de PJ com R$ 20 mil: inclua os tributos do sócio
Considere RBT12 de R$ 240 mil e FS12 legalmente apurada de pelo menos R$ 67.200, com enquadramento no Anexo III. O sócio recebe pró-labore atual de R$ 5.600 e não tem outros vínculos, rendimentos ou deduções. Para o IR mensal, a dedução do INSS de R$ 616 supera o desconto simplificado de R$ 607,20.
| Componente | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| DAS da empresa | R$ 20.000 × 7,3% | R$ 1.460,00 |
| INSS do sócio | R$ 5.600 × 11% | R$ 616,00 |
| IR sobre pró-labore | Base R$ 4.984; imposto R$ 461,87 menos redutor R$ 233,01 | R$ 228,86 |
| Total dos tributos considerados | DAS + INSS + IR | R$ 2.304,86 |
O redutor é R$ 978,62 − 0,133145 × R$ 5.600 = R$ 233,01. O total representa aproximadamente 11,52% dos R$ 20 mil, antes dos demais custos da estrutura. O pró-labore bruto é remuneração do sócio, não um imposto adicional; seus tributos foram incluídos. Nos Anexos III e V, a contribuição patronal abrangida integra o DAS.
Essa hipótese não garante que qualquer empresa alcance o Anexo III ao alterar o pró-labore atual. É necessário conferir o histórico e as regras de início de atividade, além de registrar remunerações reais. Honorários contábeis, equipe, aluguel e anuidades precisam entrar na análise econômica.
Lucro Presumido: como se forma a carga de uma consulta comum
Para serviços médicos de consultas comuns, usando presunção de 32% tanto para IRPJ quanto para CSLL, a composição básica de 2026 é:
| Tributo | Hipótese sobre a receita | Em R$ 20 mil/mês |
|---|---|---|
| IRPJ | 32% × 15% = 4,8% | R$ 960 |
| CSLL | 32% × 9% = 2,88% | R$ 576 |
| PIS cumulativo | 0,65% | R$ 130 |
| Cofins cumulativa | 3% | R$ 600 |
| ISS ilustrativo | 2%, a confirmar conforme regra municipal | R$ 400 |
| Total parcial | 13,33% | R$ 2.666 |
O exemplo expressa equivalentes mensais, com faturamento constante e apurações nos períodos legais. Se o ISS aplicável fosse 5%, esse total subiria para R$ 3.266. Não inclui encargos patronais sobre remunerações, tributos do sócio e demais despesas. Há adicional de IRPJ sobre a parcela do lucro presumido que excede R$ 60 mil no trimestre, quando cabível.
Com o mesmo pró-labore de R$ 5.600, em uma hipótese ordinária de contribuição patronal de 20% no Presumido, haveria R$ 1.120 de CPP da empresa, além de R$ 616 de INSS do sócio e R$ 228,86 de IR. O conjunto chegaria a R$ 4.630,86 com ISS de 2%, ainda sem outros custos. Isso mostra por que comparar apenas 13,33% com o DAS é insuficiente. Bases: Lei 9.249 e Lei 8.212.
Serviço hospitalar não é sinônimo de qualquer serviço médico
As bases reduzidas de presunção de IRPJ/CSLL previstas para determinados serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico não se aplicam automaticamente a todo médico, plantão ou consulta. A análise envolve natureza efetiva do serviço, forma empresarial e exigências sanitárias. Usar apenas um CNAE ou um nome de clínica não comprova o direito ao tratamento.
Para receitas maiores, a LC 224/2025 também exige atenção: o acréscimo nos percentuais de presunção sobre a parcela de receita que supera o limite legal de R$ 5 milhões anuais possui regras de proporcionalização e vigência. Os exemplos de pequeno faturamento acima não alcançam esse limite.
Lucros distribuídos e mudanças de 2026
Não trate toda retirada como lucro isento. É necessário separar pró-labore, adiantamentos e lucro apurado com documentação. A Lei 15.270 prevê retenção de 10% quando uma mesma PJ paga lucros/dividendos acima de R$ 50 mil no mês a uma mesma PF residente, observadas as regras e exceções legais. A incidência mensal alcança o total, não só o excedente. A tributação mínima anual de altas rendas exige avaliar também outros rendimentos.
O detalhamento está no guia de distribuição de lucros em 2026. A transição do IBS/CBS deve ser simulada por ano e por regime; não é correto somar automaticamente alíquotas de teste às cargas apresentadas. Consulte as orientações oficiais para 2026.
Perguntas frequentes
Todo médico economiza abrindo CNPJ?
Não. Renda, despesas dedutíveis na PF, folha, contratos e custos da PJ podem mudar o resultado. Compare cenários completos com o mesmo conjunto de premissas.
Se já contribuo pelo hospital, recolho INSS novamente?
Os vínculos e o teto devem ser conciliados com comprovantes. Não deixe de recolher nem repita contribuições sem informar os pagadores e validar a apuração.
A plataforma já descontou imposto: posso abater do DAS?
É preciso identificar se houve tributo, comissão ou outra dedução. Retenções só podem ser aproveitadas na forma legal. Veja também o guia de tributação na telemedicina.
Compare PF e PJ com os seus documentos
A Ágitt pode simular receitas, despesas, folha e retiradas para apresentar a carga de cada alternativa e o custo de manutenção da estrutura.
Os exemplos são ilustrativos e não substituem a apuração com documentos e regras aplicáveis ao seu caso. Informações verificadas em 21/09/2026.